Programa

Programa Lista Q

Concordando com o objetivo original do Plano Estratégico 2020-2030 de colocar o Técnico, de forma sustentada, no Top 15 Europeu de Escolas de Engenharia na próxima década, consideramos que este nunca será alcançado nem ultrapassado com as políticas que têm vindo a ser implementadas.

É por isso necessária uma profunda alteração que produza melhorias significativas em todos os indicadores: 

Na Qualidade das Práticas e Processos de Decisão

- tomando decisões baseadas em dados e factos objetivos, e com ampla participação e escrutínio da comunidade académica.

Na Qualidade da Política Científica

- centrando-se a Escola e o seu programa doutoral na produção científica de qualidade, ao invés de no número de graduações.

Na Qualidade do Ensino

- reintroduzindo o regime de ensino semestral como norma, mais pedagógico e adequado à assimilação profunda de ideias e conceitos

Na Qualidade das Infraestruturas

- planeando as instalações da Escola numa estratégia intergeracional até final do século, ao invés de face às ocasionais necessidades pontuais.

Qualidade das Práticas e Processos de Decisão

Pela sua diversidade — espelhada na existência de 10 departamentos —, o Técnico é uma organização complexa com interesses conflituantes. A função de órgãos de política central, como o CC, é dirimir potenciais conflitos e unir a Escola em torno de objetivos comuns.

Infelizmente, em processos recentes, como a alteração do modelo de ensino e práticas pedagógicas (MEPP) e o modelo de dimensionamento das unidades académicas (IST-DAUA), o CC não cumpriu devidamente sua função. Ao mesmo tempo, estas decisões foram tomadas com uma participação muito abaixo da adequada por parte da comunidade académica. Daqui resultaram decisões experimentalistas e precipitadas, que dividem a comunidade do Técnico em vez de a unir.

Sem uma requalificação dos processos de decisão e de gestão da Escola, não nos aproximaremos dos objetivos ambiciosos do Plano Estratégico 2020-2030. Para isso, propomos:

  • que o CC participe ativamente na definição das políticas de gestão científica, nas vertentes de ensino e investigação, e não apenas como entidade consultiva;

  • que o CC se responsabilize tomando decisões de gestão fundamentadas, ao invés de delegar as suas competências em algoritmos;

  • que essas decisões se fundamentem em dados e factos objetivos, em experiência empírica recolhidos pelos serviços, e no uso geral do método científico;

  • que se publicitem os processos de decisão durante o seu decurso;

  • que se envolva a comunidade escolar através de discussões públicas com contraditório, evitando a tomada de decisões em circuito fechado.

Qualidade da Política Científica

No âmbito das suas funções de zelador pela qualidade da investigação, o CC deve propor à Escola medidas estruturais que potenciem as suas capacidades. Ao mesmo tempo, os objetivos do Plano Estratégico 2020-2030 não estão dissociados de objetivos de aumentar e capacitar a excelência científica da Escola, e de responder às necessidades dos melhores investigadores; tanto internos como externos à Escola — criando assim nesse processo condições para a atração destes últimos. Sem uma requalificação das estruturas de apoio à investigação, não nos aproximaremos dos objetivos ambiciosos do Plano Estratégico 2020-2030. Nesse sentido, propomos:

Medidas estratégicas de aplicação imediata:

    • Centrar o programa doutoral na produção científica de qualidade da Escola, como forma base de criar e fixar talento, fazer Ciência, e no processo atrair os melhores investigadores;

    • Criar um processo de simplificação administrativa na gestão da ação científica, desde Missões a Consultores a Recursos Humanos, colocando o enfoque administrativo nos serviços ao invés dos investigadores;

    • Substituir o conceito de número alvo de docentes do Técnico pela aplicação de princípios gerais de gestão, evitando colocar as estruturas internas numa competição destrutiva por um conjunto prefixado de recursos;

    • Substituir a “gestão por algoritmo” preconizada no documento “Definição do Modelo IST-DAUA” por decisões fundamentadas do CC sobre o dimensionamento das unidades académicas do Técnico, e que garantam:

      • A renovação dos departamentos;

      • Um corpo docente adequado, em número e competência científica comprovada, às necessidades letivas;

      • A expansão através da contratação, com ênfase em áreas autofinanciadas, ou novos domínios que a Escola considere estratégicos.

Medidas estratégicas de fundo:

  • Efetuar um estudo comparativo das estratégias de desenvolvimento científico do Técnico com os de universidades internacionais de referência, perspectivando uma Escola com capacidades comprovadas tanto em Ciência Fundamental e Aplicada como em Engenharia e Tecnologia;

  • Criação de um programa da Escola para oportunidades em projetos de iniciação à investigação direcionado e aberto a todos os alunos de primeiro ciclo, a ocorrer regularmente nas intermissões letivas de inverno e de verão;

  • Efetuar um estudo comparativo dos programas e mecanismos de transferência de conhecimento, e de ecossistemas de inovação e criação de start-ups do Técnico, com os de universidades internacionais de referência, perspectivando uma Escola com real capacidade de impacto significativo no tecido empresarial e no crescimento económico do espaço Europeu;

  • Melhorar as capacidades das estruturas de apoio à preparação e administração de grants científicos Europeus (e.g., ERC e semelhantes), garantindo a existência de recursos localizados no Técnico, com experiência específica para a elaboração de propostas nas áreas de Ciência e Tecnologia, e competências comparáveis às das instituições congéneres de referência internacional;

  • Criação de condições especiais para titulares de grants científicos Europeus (e.g., ERC e semelhantes), em particular no que diz respeito a apoios acrescidos no sentido de minimizar o esforço letivo e administrativo por parte da equipa de investigação científica;

  • Estudo da criação de um programa de atração de titulares de grants científicos Europeus (e.g., ERC e semelhantes) externos à Escola, por forma a virem concretizar os seus projetos no IST.

Qualidade do Ensino

No âmbito das suas funções de velar pela qualidade do ensino, incluindo cursos, ciclos de estudo, e avaliações de aproveitamento, também aqui o CC deve propor à Escola medidas estruturais que potenciem as suas capacidades. Mais, os objetivos do Plano Estratégico 2020-2030 não estão dissociados de objetivos de aumentar a excelência pedagógica e de ensino da Escola, e de responder aos desejos e necessidades dos melhores alunos – criando neste processo condições para a acrescida atração destes últimos, incluindo de todo o espaço educativo Europeu. Sem uma requalificação das estruturas de apoio ao ensino, e da sua qualidade, não nos aproximaremos dos objetivos ambiciosos do Plano Estratégico 2020-2030. Para isso, propomos:

 

Medidas estratégicas de aplicação imediata:

    • Alterar o atual regime normal de funcionamento das UC em períodos intensivos de 7 semanas, passando a um regime genuinamente semestral — mais adequado à aprendizagem profunda, à assimilação de conceitos, ao amadurecimento das ideias, e à resolução de problemas. Esta alteração deve ser realizada de forma ponderada, permitindo manter pontualmente o regime intensivo nas UC em que haja consenso sobre a sua adequação;

    • Alterar o regulamento da avaliação, flexibilizando e reduzindo o ritmo intenso de avaliação dos alunos, com o objetivo de centrar o ensino na aprendizagem;

    • Alterar o regulamento de inscrições com o objetivo de reduzir o fenómeno dos alunos não avaliados e o respetivo impacto no rácio de aprovados por inscritos;

    • Reforçar os recursos humanos dos serviços de acompanhamento académico dos estudantes, profissionalizando a figura do tutor e garantindo a sinalização atempada dos casos de baixo rendimento, bem como a respetiva intervenção junto dos estudantes;
    • Criar um gabinete de implementação e apoio à digitalização, em todas as suas vertentes — de ensino, pedagógicas, e de avaliação —, tal como defendido pelo Conselho Pedagógico

 

Medidas estratégicas de fundo:

    • Efetuar um estudo comparativo dos planos curriculares do Técnico com os de universidades internacionais de referência, em particular comparando-os ao nível da formação de base em Ciência e Tecnologia. É de salientar que, ao contrário do Técnico, que reduziu drasticamente as componentes de formação fundamental nos últimos anos, escolas como a EPFL e o ETH caminharam no sentido inverso — precisamente porque a crescente complexidade tecnológica exige cada vez mais conhecimentos profundos e maior capacidade dos alunos a pensarem autonomamente;

    • Estudar as reais necessidades dos alunos no que diz respeito ao seu bem estar de saúde mental, e elaboração de um conjunto de recomendações à Escola e aos Serviços de Saúde no sentido de lhes responder seguindo os mais rigorosos padrões internacionais (eventualmente passando por uma recomendação de reforço dos recursos humanos de resposta);

    • Estudar a criação de fortes programas de atração de estudantes internacionais, com foco nos segundo e terceiros ciclos, e tanto do espaço educativo Europeu como de fora;

    • Levar a cabo um estudo comparativo entre as vantagens e as desvantagens do aumento do número de créditos letivos atribuídos à orientação de alunos de segundo e terceiros ciclos, bem como da sua distribuição ao longo dos períodos de orientação, tendo em mente um objetivo de aumento da oferta e do número de vagas para alunos de segundo e terceiros ciclos a montante;

    • Levar a cabo um estudo comparativo entre as vantagens e as desvantagens de implementar uma teaching track na Escola, como forma de auxílio ao ensino e como forma de valorização de carreiras de não-investigação.

 

Qualidade das Infraestruturas

Face à falta de qualidade das instalações presentes do Técnico, em especial nos Campi da Alameda e Tecnológico e Nuclear, consideramos que o CC não pode deixar de exigir aos outros órgãos da Escola com competência na matéria uma intervenção profunda e planeada nos espaços físicos e de fruição geral, no sentido de garantir condições de atratividade, pelo menos, semelhantes às das instituições nacionais competidoras. Mais ainda, sem ambicionar a condições arquitetónicas e estruturais semelhantes às congéneres internacionais de referência, não seremos capazes de atrair os melhores investigadores externos à Escola, nem os melhores alunos do espaço educativo Europeu, comprometendo os objetivos do Plano Estratégico 2020-2030.

Consideramos ainda que, no âmbito das suas funções estatutárias de pronúncia sobre a criação ou transformação de pólos ou unidades, é obrigação do CC instar a Escola a iniciar um processo de reflexão sobre qual deve ser a infraestrutura física da Escola no caminho para o próximo século. Nesse sentido, propomos:

 

– Lançar um estudo comparativo sobre qual deve ser a estratégia intergeracional relativa à evolução e desenvolvimento da infraestrutura da Escola desde o presente até final do século:

  1. Uma profunda requalificação dos actuais 3 campi, Alameda, Taguspark, Tecnológico e Nuclear, em regime multi-polar, focado em obras de requalificação que permitam melhorar muito significativamente as actuais condições e infraestruturas de apoio à investigação científica, ao ensino, aos estudantes e à comunidade em geral (tendo em conta todas as suas necessidades), de forma sustentável; e de forma igual nos 3 campi;
  2. Um único campus novo, o Campus XXII, construído de raíz, planeado para levar a Escola rumo ao século XXII, seguindo as melhores práticas internacionais no que diz respeito a espaços letivos, de trabalho e investigação científica, e de apoio aos estudantes e à comunidade em geral; incluindo residências universitárias, espaços de saúde, desportivos, e de lazer, e seguindo as melhores práticas de sustentabilidade carbonneutral internacionais;

 

Ambos os estudos devem ser articulados com a eventual concretização dos objetivos estratégicos acima enumerados respeitantes à expansão da Escola — em particular, respeitantes à atração dos melhores investigadores externos à Escola (para virem concretizar os seus grants no Técnico), e respeitantes à atração dos melhores alunos internacionais (para virem estudar os seus segundo e terceiro ciclos). Devem ainda ambos os estudos ser articulados com o papel fundamental que as infraestruturas podem ter no promover do bem estar e da boa saúde física e mental de toda a comunidade IST;

 

– Terminado o estudo comparativo, avançar com um processo de discussão e consulta alargada e participada à Escola, por forma a decidir se se deve manter a actual estratégia de requalificação dos 3 campi Alameda, Taguspark, Tecnológico e Nuclear, em regime multi-polar, ou se se deve, alternativamente, avançar para a construção do Campus XXII até final da década.

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